A. Lima, H. Trindade, H. Carvalho, A. Macedo, A.G. Palma Carlos.
INTRODUÇÂO: No crossmatch por citometria de fluxo (CXCF) as células do dador podem ser obtidas a partir de diferentes tecidos (sangue periférico, gânglio ou baço). Actualmente o CXCF permite fazer o estudo simultáneo de reactividade dum soro com os linfócitos B e T, numa mesma amostra, mediante a utilizaçâo de um marcador monoclonal especifico para as células T ou B. Para isso toma-se importante a percentagem de cada uma dessas populaôes no tecido a utilizar no CX. Neste trabalho os autores estudam a distribuiçâo das principais populaçôes linfocitárias em cada um dos tecidos a fim de fundamentarem a escolha para estudios pré transplantaâo. A utilizaçâo de anti CD2 para separaçâo das células T e NK por fluorencencia, ‚ analisada em CX a fim de estudar a variabilidade induzida pela presença de células NK na regiâo de análise.
MATERIAL E METODOS: O crossmatch por citometria de fluxo (CXCF) foi feito por uma técnica de inmunofluorescencia indirecta. Incubaram-se 2.5x10 5 células com 30 ul de soros de testemunhos negativos (n=30). No final juntou-se 20 ul de anti y-FITC (DAKO) numa diluiçâo previamente determinada e 10 ul de um nonoclonal anti CD2-PE (DAKO). Os resultados foram valorizados através da média de canais (MC) de FL1 das células CD2+ e CD2-.
As células de baço foram obtidas por separaçâo mecânica/maceraçâo a partir de um fragmento transversal de pelo menos 4 cent¡metros de profundidade. No gânglio a separaçâo foi feita por maceraçâo, sendo em qualquer dos casos a suspensâo celular obtida, separada ulteriormente por centrifugaçâo em gradiente de densidade. Das células mononucleares obtidas, foram dispensadas 2,5x10 5 por poço de microplaca para marcaçâo directa com os respectivos monoclonais (CD3, CD16, CD19). Os linf¢citos do sangue perif‚rico foram analisados com os mesmos anticorpos, por uma t‚cnica de imunofluorescˆncia directa em sangue total. As an lises de citometria foram feitas num cit¢metro de fluxo FACScan TM (Becton Dickinson).
RESULTADOS: Os nossos resultados mostram que os linfócitos B se encontram em maior percentagem no baço (55.5 +/- 12.5%), no gânglio representam 31.5 +/- 7.6% das c‚lulas mononucleares e no sangue perif‚rico caracterizaram-se 23,4 +/- 11.7%. As c‚lulas T identificadas pela expressâo de CD3 representaram 31,3 +/- 12.5% das c‚lulas mononucleares do baço, 65.1 +/- 11.4% no gânglio e 67.3 +/- 11.1% no sangue periférico. As células NK CD16+ mostraram estar virtualmente ausentes do gânglio (0.9 +/- 0.6%) sendo a sua maior percentagem encontrada no baço 8.5 +/- 9.3%; enquanto o sangue periférico mostrava 5.3 +/- 4.7% de células com este fenotipo.
Os resultados dos CX com 30 soros negativos testados contra as mesmas células mostram que as células CD2+ tinham uma MC de FL1 de 2.5 +/- 0.1 (CV4%), e as c‚lulas CD2- tinham uma MC de 35.2 +/- 6.7 (CV18.9). DISCUSSÂO CONCLUSÔES: Estes resultados mostram que o baço o tecido que apresenta maior percentagem de linfócitos B, muito embora tenha um número significativo de células Nk contaminantes da populaâo T ou B conforme o anticorpo monoclonal utilizado. O gânglio tendo menos células de fenotipo NK, comparativamente ao sangue perif‚rico e ao baço sendo no nossa opiniâo o tecido de escolha. O estudo de CX com 30 soros negativos mostra que a presença de células NK na populaçâo T nâo condiciona uma variabilidade aumentada, apesar das primeiras terem uma MC muito superior ás células T. Os autores discutem ainda as imagens introduzidas pela presença das c‚lulas NK nos resultados do CXCF, conforme o anticorpo utilizado para separar as células T e B, propondo a eventual utilizaçâo da tripla marcaçâo para estes estudos.