RESULTADOS DO CROSSMATCH POR CITOMETRIA DE FLUXO EM 185 DOENTES TRANSPLANTADOS RENAIS

CORRELAÇÂO RESULTADOS COM AS CRISES DE REJEIÇÂO DURANTE O PRIMEIRO MÊS POST TRANSPLANTAÇÂO

H. Tridade*, A. Lima*, H. Carvallo, A. Nolasco", A.G. Costa#, R. Sancho*, A. Pena# e A.G. Palma Carlos*

*Centro de Histocompatibilidade do Sul, Campo Santana 130, 1100 Lisboa.

# UTR da Cruz Vermelha Portuguesa,
" UTR do Hospital Curry Cabral.

INTRODUÇÂO: A citometria de fluxo tem sido utilizada no crossmatch para estudo da alossensibilizaçâo em doentes candidatos a transplantaçâo renal, revelando-uma técnica sensível para a detecçâo da alossensibilizaçâo por IgG. A fim de avaliarmos a importáncia deste método na incidência de crises de rejeiçâo no primeiro mês post transplante estudamos 185 doentes, dos quais 153 tinham além do soro actual um soro histórico.

MATERIAL E METODOS: O CX por citotoxicidade foi realizado pela técnica convencional de microlinfocitotoxicidade, sendo a opçâo de transplantaçâo tomada com base no resultado negativo deste teste. O crossmatch por citometria de fluxo (CXCF) foi feito por uma técnica de imunofluorescência indirecta, com células de gânglio linfático. Resumidamente: Incubaram-se 2.5x10 5 células com 30 ul de soros dos doentes e de testemunhos negativos. No final juntou-se 20 ul de anti y-FITC (DAKO) numa diluiçâo previamente determinada e 10 ul de um monoclonal anti CD2-PE (DAKO). A leitura foi feita em citómetro de fluxo (FACScan, Becton Dickinson) sendo os resultados valorizados através da média de canais (MC) de FL1 das células CD2+. A MC dos soros testemunhos negativos (MCTN) permitiu fazer uma razâo com a dos soros problemas (MCSP) e estudar os resultados com base num n£mero relativo: NR=(MCSP/MCTN)x100, o qual era considerado como positivo para valores superioeres a 150. A distinçâo das crises de rejeiçâo vasculares celulares (RVC) e humorais (RVH) foi feita com base na avaliaçâo do infiltrado celular de biòpsias renais.

RESULTADOS: Os nossos resultados mostraram que o CXCF foi positivo em 17,6% (n=153,27 positivos) dos soros históricos e 17,8% (n=185,33 positivos) dos soros recentes. Dos 27 CX positivos com os soros históricos 7 (25,9%) negativaram no £ltimo soro antes da transplantaçâo. Comparando as médias de NR entre doentes sem crise de rejeiçâo vascular celular (RVC) ou humora (RVH) (n=86, média de NR é de 136 nos soros históricos e 128 nos recentes) e o grupo que desenvolveu RVC durante o primeiro mˆs post transplante, verifica-se que nos soros históricos (n=55) este valor é de 176 (P<0.125) e nos soros actuais (n=63) é de 143 (P<0.406). Comparando o mesmo grupo de doentes sem história de rejeiçâo com os 7 apresentaram RCH incluindo 3 perdas agudas de orgâo, verifica-se que estes com o soro histórico apresentavam uma média de NR de 912 (P<0.001) e com o soro actual de 389 (P<0.001).

DISCUSSÂO/CONCLUSÔES: Estes nossos resultados mostram que os valores mais elevados de NR se encontram em doentes com rejeiçâo vascular humora. Entre os doentes sem historia de crise de rejeiçâo e os que fizeram RVC, nâo se verificaram alteraçôes significativas dos valores de NR. Na globalidade estes resultados apontam para a possivel importância deste metodo na prevençâo de situaçôes de rejeiçâo humoral, devendo contudo esclarecerse melhor a sua especificidade e niveis críticos de positividade. O CXCF nâo nos parece contudo preditivo no que respeita às rejeiçôes vasculares celulares.