CORRELAÇÂO DOS RESULTADOS COM ALOSSENSIBILIZAÇÂO PRÊVIA E AS CRISES DE REJEIÇÂO VASCULARES HUMORAIS (RVH) E CELULARES (RVC).
H. Trindade, A. Lima, H. Carvalho, A. Nolasco, A.G. Costa, R. Sancho, A. Pena, A. Palma Carlos.
Centro de Histocompatibilidade do Sul, Campo Santana 130, 1100 Lisboa. UTR da Cruz Vermelha Portuguesa. UTR do Hospital Curry Cabral.
INTRODUÇÂO: Os doentes em lista de espera para transplante renal sâo estudados regularmente contra um painel de células de 50 dadores diferentes a fim de se avaliar a sua alossensibilizaçâo anti HLA. Conforme a reactividade apresentada sâo classificados por un número de cruzes: 0 sem reactividade, + reactividade < a 25% das células, ++ reactividade entre 25 a 50% das células, +++ reactividade entre 51 a 57% das c‚lulas e ++++ reactividade superior a 75% das células. Neste trabalho os autores avaliam a importância da alossensibilizaçâo nos resultados do crossmatch por citometría de fluxo (CXCF), e a sua correlaçâo com a incidˆncia de epis¢dios de rejeiçâo vascular humoral.
MATERIAL E METODOS: O estudo dos anticorpos linfocitotoxicos contra painel, foram realizados pela técnica clássica de microlinfocitotoxicidade (n=153). No per¡odo peri transplante foi feito o CX por citometr¡a de fluxo (CXCF) com células de gânglio, por uma técnica de imunofluorencência indirecta. Resumidamente, incubaram-se a 45 minutos a 20§C 2.5x10 5 com 30 ul de soros dos doentes (n=185 e 153, soros recentes e históricos respectivamente) e de testemunhos negativos. A reaçâo foi revelada pela adiçâo de 20 ul de anti y-FITC (DAKO) numa diluiâo previamente determinada e 10 ul de um nonoclonal anti CD2- PE (DAKO). A leitura foi feita em cit¢metro de fluxo (FACScan, Becton Dickinson) sendo os resultados valorizados atrav‚s da m‚dia de canais (MC) de FL1 das células T. A MC dos soros testemunhos negativos (MCTN) e a dos soros problemas (MCSP) foram utilizadas numa razâo de forma a obter um numero relativo: NR=MCSPO/MCTNx100, considerando-se como positivo um valor de NR superior a 150.
RESULTADOS: O estudo alossensibilizaçâo contra painel mostrou a seguinte distribuiçâo: 34%0 -- 49.7%+ -- 6.4%++ -- 3.7+++ -- 3.2%++++ -- 2.7% nâo avaliados
Os resultados obtidos por CXCF mostram que os valores medios de NR entre o grupo com 0 cruzes foi de 100.2 e significativamente diferente dos verificados para os grupos de uma duas a três cruzes, cujos valores médios de NR foram respectivamente de 150.8 (p<0.023), 276.5 (p<0.001) e 730.2 (p<0.001). Dos 7 doentes que apresentaram RVH, 3 tiveram perda de rim, destes, dois tinham 3 cruzes e um 4. As CRVH sem perda de orgâo tinham 0 ou 1+. O mesmo tipo de avanaçâo com doentes que fizeram RVC mostra que 28% desdes casos acorrearam em doentes com 0 cruzes (n=63), 33% com + (N=92), 58% com ++ (n=12), 28% com +++ (n=7) e 33% com ++++ cruzes (n=6). Em nenhum estes casos houve perda da orgâo.
Os nossos resultados de CXFC mostram que as médias de MC obtenidas com os soros hist¢rico e actuais de doentes com historia de CRVC (n=55, MC=176 e 143), sâo menores do que as dos casos de RVH (n=7, MC=912 e 389, p<0.001) respectivamente, sendo mais elevada a MC dos soros hist¢ricos de doentes com mais de ++ de sensibilizaçâo comparativamente com os de ++ do soro actual (MC=730.2 e 356.1, p<0.001).
DISCUSSÂO/CONCLUSÔES: Os nossos resultados mostram que os valores de NR mais elevados se encontram no grupo de doentes com amior alossensibilizaçâo contra painel, sendo no grupo de maior imunizaçâo que se verificou a incidência de RVH com perda de rim. Por outro lado a avaliaçâo de resultados pelo m‚todo do NR, quer conforme a alossensibilizaçâo, quer na conparaçâo de soros históricos e actuais, permite estabelecer comparaçôes nâo só qualitativas (positivo negativo), mas também quantitativas entre grupos de doentes, correspondendo os valores mais elevados aos maiores títulos de anticorpo.